Consumo consciente no mundo

Meu consumo consciente no mundo. Em meus 11 anos fora do Brasil, primeiro nos Estados Unidos e agora na Holanda, posso dizer
que aprendi muito com os gringos. Muito sobre tudo dessa vida, mas o que aqui mais nos interessa é a questão do consumo consciente, da beleza feminina e da sustentabilidade.

Eu e a natureza na minha infância

Sempre fui apaixonada pela natureza, desde criança. Me lembro de pedir insistentemente aos meus pais para que me levassem ao sítio do meu tio aos domingos. A vista rural, o ritmo das atividades do campo, o cuidado com as plantas e os animais me fascinavam. Me sentia “enraizada”, unida a essa força maior que vem da nossa mãe Terra. E isso continuou por toda a minha vida. Por isso hoje o consumo consciente no mundo é um tema de pesquisa natural para mim.

 

Do sítio para o Shopping, do Brasil aos Estados Unidos   Preços

Infelizmente, ao mudar para os Estados Unidos, caí nos tentáculos do consumismo fashion. Naquela época, fui estudar Psicologia Ambiental e Social para entender o que motiva as pessoas a tomar atitudes em prol ao meio ambiente. Mas, por uma razão que hoje chamo de falta de sintonia, minha cabeça entendia que a Natureza que eu amava não estava de nenhuma forma presente nas roupas que eu comprava. Eu me enganava, e não era porque eu ligava tanto assim para as marcas. Eu gostava mesmo é de poder comprar roupas bonitas, de qualidade, e em quantidade. E o mais importante – eu tinha todas essas roupas lá, no primeiro mundo, o mundo de Holywood, onde as mulheres eram tão lindas e magras quanto bem vestidas. Nessa época estive bem distante do consumo consciente.

Quando tudo começou a mudar

Foi num curso de Mudança Organizacional que as coisas começaram a mudar. Li um livro sobre as mazelas da indústria de roupas: a miséria em que viviam os plantadores e colhedores de algodão, a poluição gerada no processo de fabricação e lavagem do jeans, o trabalho escravo de crianças e adultos que não tinham outra opção, e tudo o mais que hoje, nove anos depois, virou escândalo para todo mundo ver. Eu sabia que tinha muito de errado com o mundo. Sabia que os estadounidense eram taxados de consumistas. Eu mesma os taxava, mas o fazia pelo seu consumo desenfreado de produtos descartáveis e necessidade de “ter”. Eu não usava descartáveis como eles, não.

Mas… me dei conta que também tinha a necessidade de ter. Em menor escala e sem os descartáveis, mas tinha. Foi um choque que me levou a procurar outras sintonias e começar a viver de maneira diferente.

Resintonizando na Europa

Continuei com meus estudos e reencontrei minha causa. Mais madura, mais vivida e menos hipócrita, me “re-sintonizei” com a natureza. E, dessa vez, a conexão ocorreu também com minha própria natureza.IMG-4093
Foi nessa mesma época que meu marido conseguiu um emprego na Holanda. Era tão interessante pensar em nos mudar do Meio Oeste americano, mais precisamente do Missouri, para a Europa. “O Velho Mundo…”, eu pensava. Tinha um caso antigo com ele, desde o mochilão que fiz depois que me formei na faculdade. Eu lembrava das casas (muito) menores em comparação às estadounidense, do uso do transporte público ao invés do carro, e das roupas (muito) mais caras. Glamour do mais tradicional, lá era fácil de encontrar. E aí meu consumo consciente no mundo despertou.
Felizmente, o que mIMG-20170406-WA0004 (1)ais me despertou a atenção quando cheguei na Holanda foi a simplicidade daquele povo tão batalhador. Essa sintonia com o que há demais simples na rotina urbana moderna me remeteu imediatamente à sustentabilidade. É claro que ninguém se surpreende quando eu digo que os holandeses se locomovem de bicicleta. Mas o estilo de vida ecológico do holandês vai muito além de andar de bicicleta e comer quilos de pepino por ano. Hehe!

Na Holanda

IMG-4091Se considerarmos a história de um cidadão holandês desde o nascimento, a busca da sustentabilidade no dia-a-dia fica evidente. Para começar, cerca de metade dos partos do país acontecem no ambiente mais natural e humano possível – a casa dos pais. Além disso, as crianças holandesas foram consideradas em 2017* as mais felizes do mundo, graças a quesitos como a liberdade de brincar ao ar livre, sensação de segurança dentro e fora de casa, e acesso à educação pública de alta qualidade. Esses são resultados do consumo consciente no mundo, nesse caso na Europa, mais especificamente na Holanda.

É verdade que a vida de todo mundo vai ficando mais complexa e se enchendo de responsabilidades à medida que os anos passam, e com os holandeses não é diferente. Mas é por isso que eles são práticos e dão valor a tendências como o minimalismo escandinavo.

Afinal de contas, num país tão pequeno, espaço é luxo. Então por que se encher de coisas? Não estou dizendo que não existe consumismo na Holanda, nem que as pessoas agem cem por cento de maneira sustentável. Mas existe, sim, uma tendência a praticar o que é bom para as pessoas e para o planeta. E falando em bem-estar, beleza lá não é considerada um conceito, mas uma experiência. Defende-se a beleza única de cada um, a beleza que se expressa em todas as formas e tamanhos, com ou sem curvas e com ou sem botox. As campanhas publicitarias, por exemplo, retratam as pessoas como elas são, sem o uso de ferramentas tipo Photoshop. E a lista de atitudes voltadas ao consumo consciente, ao amor próprio e à proteção das futuras gerações vai longe.

Nós e o consumo consciente no mundo

E você? O que conhece do Consumo Consciente no mundo? Se quiser saber mais sobre os cosméticos pode baixar nosso Guia de Consumo de Cosméticos Saudáveis para as Pessoas e o Planeta.

Quanto a mim, estou sempre tentando incorporar cada vez mais as práticas saudáveis e sustentáveis. Posso dizer com orgulho que hoje meu guarda-roupas é uma fração do que era, e sou muito mais feliz sem tantas roupas. Quem diria que os costumes do Velho Mundo seriam assim tão novos? Não vejo a hora de aprender mais!

 

 

——-marinascatolin

A AUTORA – Marina Scatolin – Além de investigar o consumo consciente no mundo, é amante da vida e da natureza, vivendo há onze anos fora do Brasil. Atualmente morando no segundo país estrangeiro, aprendi a admirar as formas da natureza nas quatro estações (até nos longos invernos subzero!). Além disso, observando
as expressões culturais de diferentes povos, estou aprendendo a viver uma vida mais leve e sustentável a cada dia.
Sou mãe do Gabriel, esposa do Rafael, e empreendedora de nascimento.

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