Me tirem do tédio com propósito!

Mundo de Beakman: antídoto do Me tirem do tédio!
Mundo de Beakman

Me tirem do tédio ! Essa foi a frase da minha adolescência. A primeira vez que acessei a internet foi em 1997 aos 18 anos e mesmo aí a internet tinha bem pouco o que ver.  Na minha adolescência livros eram caros, nas bibliotecas só havia livros antigos.  Eu ainda não tinha idade para sair e até os 16 anos, nem para trabalhar. Eram dias longos e chatos. Assistia algumas séries que passavam na TV como Confissões de Adolescente, Mundo de Beakman e Anos Incríveis. Fazia ginástica enquanto via esses programas. Sim, eu sentia que tava derretendo de tanto tédio e ativar os músculos me fazia me sentir menos solúvel. Se hoje é complicado descobrir programação cultural, imagina nos anos 90, morando na periferia de Gravataí, cidade próxima de Porto Alegre. Se tivesse o Google eu certamente teclaria: Me tirem do tédio ! Ou melhor! Não teria mais tédio porque eu realmente amo pesquisar!

Hoje me angustia pensar em qualquer ser humano no planeta passando tédio. Isso porque além de saber o quanto é ruim, hoje percebo que temos muito o que fazer pra deixar o mundo melhor. Essa é uma visão que justamente eu não tinha na minha adolescência e por isso passava tédio. Eu não me via como uma protagonista no mundo. Eu me via como uma coadjuvante, esperando minha hora de entrar e representar meu papel insignificante.

” Me tirem do tédio ” indica fazer parte da minoria privilegiada

E o que seria esse papel? Seria praticamente entrar numa esteira, numa linha de montagem. Fazer faculdade —- casar —- ter filhos —- seguir uma carreira profissional para me sustentar —- ser vó —- me aposentar —- morrer. Talvez você ache cada uma dessas etapas da vida fantástica! E sim! Tem momentos especiais, mas eu sinto que esse é só o pano de fundo, que temos muito mais a fazer.

Alguém pode pensar em algo mais entediante do que entrar numa esteira de uma linha de montagem sem saber o que se quer e sem ter espaço pra expressar o que se é?

Então eu não só levava uma vida entediante como eu tinha perspectiva de ter uma vida entediante, até morrer. Eu não me sentia viva. E assim sendo qual seria diferença se eu não estivesse mais viva? Com isso por muitas vezes me passava pela cabeça suicídio, porque eu realmente não via sentido na vida. Inclusive minha amiga psicóloga Míriam Schnomberger de Souza explicou: o tédio pode ser o início da depressão.

Talvez o grito ” Me tirem do tédio !” seja algo mais de uma minoria privilegiada da qual faço parte. Na adolescência eu tive tempo pra sentir tédio porque os meus pais podiam me sustentar. Eu não precisava trabalhar pra me sustentar ou pra ajudar em casa. A minha mãe trabalhou desde a infância. Ela não teve tempo pra sentir tédio na adolescência.

Autorealização é o topo da pirâmide.

Teoria

Privilégios me lembra a Pirâmide de Maslow, ela é muito interessante porque mostra que nós temos muitas necessidades: necessidades mais básicas, necessidades intermediárias e necessidades mais sutis. Grande parte da população se dedica e muitos não conseguem nem alcançar a satisfação das necessidades básicas, ou seja, comer, descansar ter um abrigo e segurança. É só depois que a gente alcançou as necessidades mais básicas que a gente começa sentir falta de necessidades mais de topo, as necessidades que pode-se dizer mais espirituais: como propósito. Então, por exemplo, se eu não tivesse as minhas necessidades mais básicas satisfeitas eu não teria chegado ao ponto do tédio em que eu me perguntaria que sentido faz a minha vida porque eu estaria muito ocupada trabalhando me dedicando a suprir as minhas necessidades básicas.

Essa é uma teoria! Será mesmo que as pessoas que mau estão suprindo as necessidades básicas gostariam de trabalhar com propósito?! Acredito que sim! Afinal Viktor Frankl que já trabalhava como psicólogo foi mandado ao campo de concentração e atribuiu a sua sobrevivência e de outras pessoas a tantos horrores justamente ao sentido que viam na vida.

Vejo como se tivéssemos duas conexões extremas e imprescindíveis: as necessidades básicas na sola dos pés e o propósito, o sentido na vida, a sensação de pertencimento no topo da cabeça.

Prática

Eu estou falando da minha experiência com o tédio que foi na adolescência, mas você pode viver esse período de tédio em várias fases da vida. O pedido “ Me tirem do tédio “ pode vir quando os filhos cresceram e o tempo ocupado pelos filhos agora está vazio. Um vazio cheio de tédio. Pode ser um tempo em que se está desempregado e se tem condições de continuar vivendo com as necessidades básicas supridas. Pode ser quando você fica desempregado ou desempregada, mas alguém ainda cuida das necessidades básicas, como seus pais ou companheir@. Pode ser na aposentadoria, depois de uma vida super dedicada ao trabalho diário. De uma hora para outra não dedica mais 10 horas de vida diariamente ao trabalho e o caminho até ele.

Resumindo a ópera até aqui: tédio em geral é algo que acontece na vida de pessoas mais privilegiadas. Tédio é também o que antecipa uma necessidade de propósito de sentido na vida.

E o que fez com que o tédio acabasse definitivamente para todo sempre na minha vida foi me ver como protagonista no mundo e não como coadjuvante. Como protagonista que escreve o seu papel, se dirige e que ao mesmo tempo se assiste da plateia. Sim esse é o observador externo que tanto se fala no Yoga.

Se desde o sofá de onde está passando tédio você passasse a se ver não mais como coadjuvante, mas como protagonista? Será que ainda bradaria “Me tirem desse tédio”? E é protagonista de tudo que está acontecendo no mundo, viu?! Mudando a perspectiva, o tédio se desmaterializaria, como por passe de mágica.

Vamos transformar o: Me tirem do tédio em um: Como sair do tédio?

Sim, porque se você olha pro mundo e sofre com as crianças que estão abandonadas, com a destruição da natureza, com a política, com a educação em declínio ou como estão os serviços oferecidos e se visse como co-responsável por tudo, o tédio acabaria. Porque muitas vezes quando a gente percebe um silêncio, é esse o momento de nós falarmos, de nós agirmos. Bom e daí vem seu sonho das vísceras. E se os seus talentos estão aí para oferecer ao mundo algo para deixar ele melhor?

Do estado de quase derretimento do corpo a carne se contrai, acorda. Sim! Isso é ânimo para acordar, levantar e encarar de frente cada coisa que vê errada no mundo e pensar no que fazer para melhorar.

Cuide-se! Sim! Para cuidar de seu corpinho, coração, massa cinzenta e espiritinho tem tanta, mas tannnnta coisa para se fazer que só isso pode ocupar a vida inteira de um ser humano! Casa/corpo: Desde coisas simples como uma máscara de argila, uma massagem facial relaxante até um esporte que vai mudar toda a sua vida, tem um menu extenso!
Coração: tem um monte de dorzinhas aí mal resolvidas? Que tal psicoterapia? Um profissional que lhe dá a mão e assiste uma reprise da sua vida com você. Dando um pause em algumas cenas para ver onde tem outras perspectivas possíveis!

Massa cinzenta: sabe umas ideias fixas que deixam os ombros e os maxilares doendo? Tipo “Tudo vai dar errado.” O psicólogo e outras terapias cognitivas podem ajudar. Dependendo da questão, a arte pode ajudar organizar a bagunça nos pensamentos. Ler sobre e praticar filosofia também ajuda muito! “Espritu” experimenta falar assim! É muito bom! ? Bom aqui tem mais um universo de possibilidades a que eu indico é Meditação.

Já com 15 anos não tinha mais: Me tirem do tédio
Com propósito de vida não tem: Me tirem do tédio
… 25 anos depois, continua não tendo!

Assim nosso ser inteiro estará bem preparado para encarar o mundão e deixá-lo ainda mais tudo de bom!

Daí confere aí nas tuas reclamações recorrentes, o que mais te incomoda! Somos bons em identificar problemas e falar deles, como brasileir@s. Agora é arregaçar as mangas e botar para restaurar! Porque quebrar é fácil! Restaurar é que é o desafio!

A tua questão é a situação das crianças? Sabe quem é o conselheiro tutelar no seu bairro? Em qual entidade pode fazer um trabalho voluntário? Que tal adotar uma criança? Ou apadrinhar uma criança afetivamente?

Se indigna com o lixo no mundo? Pode nos ajudar divulgando o site, pode revender com a gente os produtos, pode fazer mutirões para limpar a cidade.

Pode se cadastrar em caule.com.br/revender

Fica triste por ver a desvalorização da arte? Pode ajudar a divulgar a programação cultural da cidade, convidar os amigos para os programas culturais, pode conversar com as pessoas sobre a importância da arte, da cultura e de frequentar atividades relacionadas. Pode até fazer um perfil e vídeos só para falar do assunto.

Eu brinco que tenho trabalho para toda população da terra, infelizmente ainda não remuneração, mas alguns trabalhos remunerados com propósito já geramos!

Se quiser me ajudar a gerar essa renda para criar esses trabalhos pode conferir a nossa loja virtual clicando aqui em www.caule.com.br

Bom pensa, desenha, sonha aí e age, repete o ciclo muitas vezes e, quando se der conta, já terá se passado muito tempo na sua vida sem: “ Me tirem do tédio ”.


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Quanto vale uma vida sem causa?

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Trabalho com causa: um caso de saúde integral (Entrevista com Mirele Porto)

E-Book: A causa da beleza e a realização no trabalho (Como trabalhar com causa e ter auto-realização)

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