Lixo zero – O que é e como alcançar na sua casa ou empresa

Lixo zero é não gerar nenhum lixo. Isso? Sim e não. 

Imagine uma pessoa que faz tudo que as outras fazem e não gera nenhum lixo. Nadinha. Para ela:  pegar o saco de lixo e colocar em frente de casa ou no coletor do edifício é uma situação que não existe. 

Lixeiras cheias

Por algum tempo eu pensei que era isso. Quando via aqueles potinhos minúsculos que as influenciadoras do movimento lixo zero mostravam com o lixo que geravam eu pensava: – Uau! Que perfeição! Eu nunca vou alcançar isso!

Também não é assim tão perfeito! Que bom!

Mas também não é tão difícil assim.

Aquele potinho se trata do lixo que não é passível de reciclagem. O que é passível de reciclagem e foi encaminhado corretamente nesse caso não é considerado lixo. Afinal uma influenciadora acaba recebendo folhetos na caixa do correio, como todo mundo.  E quando recebe os produtos para conhecer e divulgar eles necessariamente vão numa caixa, mesmo fazendo um sabão líquido para lavar as roupas e limpar a casa o sabão em barra usado pra isso vem numa embalagem…

Por um lado, foi bom eu pensar que era mais difícil do que é na realidade. Porque quando a gente descobre que é mais fácil dá um alívio danado… Por outro lado, como meu empenho era não gerar nenhum resíduo consegui avançar mais do que se eu pensasse, se o lixo é reciclável, tudo bem…

Primeiro contato e para ganhar fôlego no início

O primeiro contato que eu tive com o conceito de lixo zero foi em 2005, no Encontro de Comunidades Alternativas. Lá, uma mulher contou numa oficina como não gerava lixo e fez total sentido pra mim. Como desde 2003 estava evitando produtos químicos sintéticos e plástico, era só mais uma meta na minha vida. 

Desde aí, minhas antenas vivem em pé para encontrar soluções que sejam naturais, biodegradáveis, ou seja, saudáveis para mim, todos os seres e o planeta. E a gente vai descobrindo muitas coisas, só de estar atenta ao que está ao redor. E ficando mais curiosa: perguntas como “mãe, como era o colchão quando tu era criança?”, se tornaram perguntas cotidianas na minha vida.  

Lixo zero - Caneca da Caule

Depois, conforme as pessoas vão percebendo as nossas escolhas vão também nos indicando outras opções. Por exemplo: sua tia te manda uma matéria sobre o novo sapato feito de couro de abacaxi. E ainda depois nos observando e ouvindo as pessoas ao nosso redor vão se tornando mais lixo zero também. Quando eu comecei a levar comigo um recipiente para não usar copo descartável não via mais ninguém a  fazer isso ao meu redor. Hoje além da minha professora de alemão, praticamente todos colegas tem sua garrafa de água. E ela, além do mais, ao me ver usar a caneca da Caule (CaneCaule) que levo a tudo que é lugar, ela passou a levar o seu café e sua xícara para a escola. 

Tudo isso para dizer que esse caminho é desafiante, mas ele vai se tornando mais fácil à medida que vamos acessando alternativas. Aliás, cada vez tem mais soluções disponíveis. E a motivação que vem com as indicações e as pessoas que vamos vendo mudar é cada vez maior. Me sinto um Backyardigan rodando feliz no meio das pessoas que mudam comigo!

Lixo Zero segundo a Wikipedia

Lixo zero (do inglês, zero waste) é um conceito que promove o máximo aproveitamento e correto encaminhamento dos resíduos recicláveis e orgânicos. O objetivo é o fim do encaminhamento destes materiais para os aterros sanitários ou incineradores[1]

Viu?! Não quer dizer que em tempos de internet não poderá comprar mais nada on line porque vem embalado. Mas quer dizer, sim, que vai precisar destinar corretamente todo o material dessa embalagem. E também que é importante evitar ao máximo a geração de resíduos, especialmente aqueles que não tem outro destino que não o aterro sanitário. O isopor é um desses materiais!

Lixo Zero na Caule – nossa experiência

Lixo zero na Caule!Em geral é mais desafiante ser uma empresa lixo zero do que uma pessoa lixo zero. Mas isso está tanto no DNA da Caule que já nascemos lixo zero. Desde o início sempre reutilizamos caixas. As que vinham dos nossos fornecedores e outras que pegávamos com nossos parceiros lojistas. E agora que estamos em um prédio comercial temos um universo de caixas! Um verdadeiro paraíso para nós. Já quebramos muito a cabeça para não ter que comprar plástico bolha ou, ainda pior, isopor para proteger os tesouros que vão nas caixas da Caule. Então, sempre reutilizamos os recheios que nossos fornecedores enviaram e ultimamente usamos papel fragmentado. Outro material que não falta mais em nossa vida. Até a nossa empresa de contabilidade entrou no jogo e envia para nós os papéis que não utilizarão mais. Sempre utilizamos papel usado de um lado que ganhamos (a não ser que seja um documento sigiloso, nesse caso, é logo triturado). Quando precisamos de papel em branco usamos de uma marca que faz o papel a partir do que seria lixo: bagaço de cana. Olha que empolgante as soluções que vamos descobrindo e vão aparecendo!

Aqui tem um post que fala mais da nossa experiência: https://www.caule.com.br/blog-2/2017/lindas-praticas-rumo-ao-lixo-zero/

Se precisar de uma ajudinha na sua empresa, podemos dar algumas dicas, mande a suas dúvidas para caule@caule.com.br cada caso é um caso, daí é melhor conversar individualmente. 

Situações dicotômicas

Essas situações aparecerão na sua vida rumo ao lixo zero. Se tem mais critérios além de alcançar o lixo zero na sua vida, e espero que tenha, talvez se depare com situações como:

1. Produtos a granel convencionais X produtos embalados orgânicos. 

Como eu tenho lidado: para mim o alimento ser orgânico é mais importante do que não ter embalagem. Mesmo comprando na feira de orgânicos direto do produtor, alguns produtos podem vir embalados, como no caso dos morangos. Nesse caso eu vejo com o feirante se posso devolver a embalagem para que reutilizem e em geral aceitam.

Melhor evitar agrotóxicos ou lixo zero?

Mas Janine, por que é mais importante para ti ser orgânico do que não ter embalagem? A questão dos orgânicos entrou na minha vida lá por 2001, trabalhei com os agricultores orgânicos em Porto Alegre. A poluição que causam os agrotóxicos é invisível, mas é devastadora. Agrotóxicos intoxicam os agricultores, poluem a água enquanto intoxicam todos os seres que dela dependem (praticamente todos). Sem falar que continuamos a enriquecer empresas multinacionais que sabem muito bem o que produzem e portanto não tem a mínima ética. 

É imprescindível conversar com quem produz orgânicos para optarem por não embalagem, menos embalagem ou embalagens biodegradáveis. Mas aqui pode aparecer outro dilema: embalagens biodegradáveis, muitas vezes são mais caras ou precisam ser compradas num volume muito grande e portanto só multinacionais conseguem. Daí o que é melhor, o biscoito orgânico feito no seu estado em plástico ou o biscoito da Mãe Terra na embalagem biodegradável. Lembrando que a Mãe Terra foi vendida à Unilever….

Nessas horas eu queria mesmo era viver de luz! Hahaha!

Eu prefiro a embalagem de plástico à dar 1 centavo para a Unilever, mas talvez a sua opinião e escolha seja diferente da minha, e tudo bem. 

Pensando bem, acho que não tem nenhuma situação em que prefiro comprar de multinacionais… só não consigo fugir na hora de comprar eletrônicos, mas quem consegue?

2. Produto a granel de qualidade duvidosa e produto embalado de uma empresa que confia. 

Vou dar o exemplo da Maca Peruana que é um suplemento natural e que usamos eventualmente no suco verde. O que já compramos de maca provavelmente “batizada” não tá no mapa. Até rimou… Aí nesse caso começamos a preferir a maca embalada. Mas é realmente um dilema. Sim, podemos abrir mão da maca, mas provavelmente qualquer outro suplemento venha a ter a mesma questão. E preferimos esses suplementos para nos nutrir para não precisamos de remédios depois. E sabe, né, aquela cartelinha de alumínio e plástico tem como único destino o aterro. E na indústria farmacêutica quase todas empresas são multinacionais…

Não tem coleta seletiva na minha cidade, mas deve ter catadores…

Mude de cidade! Ou mude sua cidade! Como temos Agentes de Beleza Integral em todo Brasil me deparei com essa realidade: cidades que até hoje não tem coleta seletiva.  

Eu implementei a separação dos resíduos na casa dos meus pais lá pelos anos 90, eu ainda era adolescente. Nem sinal de coleta seletiva na cidade em que eu morava, Gravataí. Mas tudo bem, percebemos que as pessoas que mexiam no lixo em frente de casa para pegar os resíduos recicláveis ficavam bem felizes quando encontravam nosso saco com tudo separado e limpinho. Depois começamos a guardar para elas os resíduos. Elas nos chamavam com a sua carrocinha e levávamos, assim não corriam o risco de o lixeiro levar antes. 

Hoje Gravataí já tem coleta seletiva faz anos e onde moro, Florianópolis também. Ufa! Mas se na sua cidade não tem essa coleta, pode fazer como eu fiz no início. Feliz e infelizmente, no Brasil em praticamente toda cidade tem pessoas que vivem da coleta, separação e venda dos resíduos recicláveis, latas de alumínio, papel, garrafa PET, etc.. Pode combinar com elas a entrega do seu material reciclável. 

Catadores de lixoEm muitas cidades têm associações ou cooperativas de catadores que podem buscar e/ou receber os seus resíduos. E pode fazer um abaixo-assinado online para exigir que a prefeitura implante um sistema de coleta seletiva. Olha o exemplo da Karina Paulino Peruchi em Araranguá, SC: https://www.change.org/p/abaixo-assinado-para-coleta-seletiva-de-lixo-no-munic%C3%ADpio-de-ararangu%C3%A1?use_react=false

A princípio, um sistema de entrega voluntária em pontos estratégicos da cidade já ajuda muito. 

Não tem nem catadores na minha cidade…

Olha, eu já morei em Bento Gonçalves, uma cidade relativamente pequena na serra gaúcha, portanto uma cidade com um bom nível econômico. E lá tinha associação de catadores, então vá a fundo mesmo na pesquisa, para ter uma vida lixo zero mesmo. Mas o que me ocorre é que pode ter cidades realmente pequenas com 7000 moradores, por exemplo, e que todos desfrutam de um bom nível econômico e não há mesmo catadores. Bom, nesse caso seria bom repensar tudo por esse fim, a destinação… Eu evito tetra-pak porque não é facilmente reciclável, mas no caso de uma cidade que não tem jeito de ter coleta seletiva é melhor uma embalagem tetra-pak do que uma de plástico. No tetra-pac tem menos plástico e portanto é menos volume de material que terá o mesmo destino: aterro sanitário. 

Passa o plástico
90% de contaminação por microplástico!

Quando o plástico vai pro aterro sanitário, a chance é grande que uma parcela acabe nos rios e vá até o mar! Lá aos poucos acaba se desmembrando em partículas menores pela ação do sol e as forças mecânicas das ondas. Peixes comem microplástico, até no sal de mesa contém microplástico hoje. Numa análise de amostras de 39 marcas de sal de mesa de 21 países, apenas 3 eram livres de microplástico!

Mas aqui também, bora fazer um abaixo-assinado e até ter uma conversa direto com os administradores da cidade. Não dá mais para uma cidade em pleno século XXI não ter coleta seletiva. Ainda mais quando estamos nos afundando em plástico…

Lixo zero na Europa

Estou morando por um ano na Áustria e o sistema de separação dos resíduos aqui é incrível. 

Embalagem l ixo  zero - f'eita 100% de plastico  recicladoA separação não é em 2 – lixo reciclável e aterro. Aqui é em: plástico, papel, orgânico (é compostado), para aterro (Restmüll), metal, vidro (em dois contêineres separados – colorido e branco) e ainda outro que é para coisas que podem ser reutilizadas como roupas, urso de pelúcia, sapato…

Sim, porque aqui não teria mão de obra para separar os resíduos depois num centro de triagem… 

Muito mais fácil ser lixo zero por aqui. Aqui, por exemplo, é muito mais fácil encontrar embalagens de papel e papelão em detrimento do plástico e isopor. Mas, nada é simples. A maior parte do papel usado na Alemanha, por exemplo, é feito com eucalipto plantado no Brasil. 

Gente, vou ali comprar um sítio e plantar tudo que eu como e uso para ser realmente lixo zero!

Lixo zero e economia circular

Os 3-5-7 R’s

Existem vários modelos de educação ambiental e conscientização dos consumidores para formas de diminuir o impacto ecológico. Eles visam mostrar que temos muitas opções para reduzir a nossa pegada ecológica na questão do lixo zero. Começou com 3R: Reduza – Reutilize – Recicle. Mas depois os Rs cresceram, e tem outras atitudes interessantes para se aproximar ao objetivo Lixo Zero!

REPENSAR: Individualmente: eu realmente preciso disso? E coletivamente: repensar o atual sistema linear de materiais. O que precisa evoluir para avançarmos para um modelo de ciclo fechado onde tudo é retornável/reutilizável ou volta a ser matéria prima. 

RECUSAR: Muitas vezes, nos oferecem produtos,  alimentos e bebidas em embalagens descartáveis que nem sempre são ou serão reciclados. Porém, não somos obrigados a aceitar aquele canudo, saquinho, talher de plástico, copo de isopor.

REDUZIR: Eu preciso de tantas roupas? Por exemplo. E também, como reduzir o uso de matéria-prima, particularmente materiais tóxicos?

REUTILIZAR:  Olhe para os resíduos que gera com o mesmo olhar que dirige a uma prateleira do supermercado. Já ouviu falar em upcycling? Exemplo: a caixinha de suco ao invés de ir para o aterro pode virar uma bela e funcional carteira. Comprar de segunda mão, de brechós é outro exemplo. As esponjas de redes de pesca retiradas do mar é outro ainda, confere clicando aqui: https://www.caule.com.br/esponja-de-rede-de-pesca-para-limpeza-domestica-ou-uso-pessoal-nara-guichon

RECICLAR: Como garantir que os materiais voltem ao ciclo biológico ou técnico? A coleta seletiva e a compostagem são dois exemplos mas existem outras possibilidades.

REPARAR: Apesar da obsolescência programada de muitos produtos modernos, existe a opção de reparar defeitos, trocar peças, ao invés de comprar algo novo.

RECUPERAR: Desde a restauração de uma simples cadeira que alguém colocou no lixo até a restauração de uma casa ou um prédio antigo.

Desafios

De uma coisa ninguém pode reclamar – quando se decide ter uma vida mais lixo zero: desafios e dilemas não faltarão. Portanto, prepare-se para se tornar uma pessoa mais perspicaz, atenta, reflexiva, criativa e consciente. Vamos juntas?

Pra dar uma forcinha nos processos aí, talvez ajude dar uma olhada na nossa loja virtual que tem xampu e condicionador sólido, canudo de inox e caneca esmaltada, para evitar os respectivos produtos descartáveis ou com embalagens não recicláveis ou de reciclagem difícil, ou porque a taxa de reciclagem de embalagens teoricamente recicláveis ainda é muito baixa… 

Veja aqui todos os produtos da Caule que ajudam a evitar lixo. São muito mais do que vc está pensando….

Se quiser colocar a boca no trombone e também revender os produtos, deixando mais pessoas se desculpas de que não acham soluções pode se cadastrar aqui: caule.com.br/revender

Sites para se inspirar: 

https://umavidasemlixo.com/blog/

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